Foto: Rodrigo Viana/Agência Senado (CC BY 2.0)
O senador Eduardo Girão (Novo) afirmou, nesta terça-feira (4), que ligou para a ex-primeira dama Michelle Bolsonaro (PL) após aceitar o convite para ser vice na chapa de Romeu Zema (Novo) à Presidência. Ele elogiou a ‘coragem’ de Michelle em expor o acordo do PL com Ciro Gomes (PSDB) no Ceará.
‘Ela teve a coragem de expor esse acordão indecoroso que aconteceu aqui no estado do Ceará, do PL com as pessoas que estão querendo voltar para o poder, que colocaram o PT no poder’, disse Girão durante convenção do Novo em Fortaleza.
‘É água e óleo. A gente vê que não se sustenta. É um erro histórico que aconteceu no PL, e ela teve a coragem de enfrentar’, reforçou o senador.
Na convenção, o partido lançou o advogado Pedro Brito como candidato ao governo do estado. Girão era cotado para a disputa, mas desistiu ao aceitar ser vice de Zema.
O senador era apoiado por Michelle ao governo do Ceará, mas o PL decidiu apoiar Ciro, em movimento articulado pelo deputado federal André Fernandes, presidente do partido no estado.
Girão disse que Michelle foi uma das primeiras pessoas para quem ligou após aceitar a vaga na chapa. ‘Foi a primeira pessoa que eu liguei particularmente, depois da minha família, foi a Michelle. Uma mulher autêntica, de valores, de princípios, que eu admiro demais […] Da mesma forma que eu fui surpreendido, ela também. Mas a gente conversou, e ela, como uma amiga, uma pessoa que é uma irmã para mim, desejou boa sorte’, contou.
Ciro Gomes, candidato ao governo do Ceará, publicou mensagem parabenizando Girão pelo convite. ‘Quero cumprimentar o senador Eduardo Girão pelo honroso convite para disputar a vice presidência da república. É muitíssimo raro que cearenses consigam alcançar oportunidades na luta política nacional. Desejo ao Senador Girão muito boa sorte na empreitada’, escreveu.
Girão agradeceu, mas rebateu: ‘Ciro Gomes é um dos cearenses mais inteligentes. Ele tem uma eloquência muito grande. Eu discordo da maneira de fazer política dele, isso faz parte, eu agradeço a mensagem’.
Ele ainda criticou o modelo político do estado: ‘Acredito que o Ceará precisa de uma ruptura desse modelo, do coronelismo, da oligarquia, que ele, o irmão [Cid Gomes], pessoas de outras famílias que estão entrando e o PT representam’.
Sobre a chapa do Novo, Girão destacou: ‘A gente precisa de uma ruptura, é por isso que eu tive muito cuidado, numa discussão com todos que fazem o Novo aqui, para a gente conseguir formatar uma chapa e entregar para o cearense a alternativa. Então, a gente tem um advogado, um homem que é sensível, extremamente corajoso, dedicado em tudo que faz, e que tem o lema que eu tenho, que é justiça para todos’.
A divergência no PL começou quando Michelle publicou, em junho, um depoimento dizendo ter sido humilhada pelo senador Flávio Bolsonaro. O episódio citado ocorreu em um comício em Fortaleza no fim de 2025, quando Michelle criticou o apoio do PL a Ciro, articulado por André Fernandes.
Na ocasião, Michelle disse: ‘É sobre essa aliança que vocês se precipitaram a fazer. Eu tenho orgulho de vocês, mas fazer aliança com o homem que é contra o maior líder da direita, assim não dá’.
Ela relatou que, após o discurso, Flávio telefonou e os dois discutiram. ‘Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política. Diante dessa humilhação, eu disse a ele que estava tudo bem. Entendi que ele não queria o meu apoio ou que este era insignificante. E então eu me recolhi’, narrou.
Michelle também citou a disputa pelo Senado: apoiou a pré-candidatura da deputada federal Priscila Costa, mas o PL lançou o deputado estadual Alcides Fernandes, pai de André. ‘Não honrar essa determinação do meu marido será um ato de traição contra Jair Messias Bolsonaro […] Já que a aliança com Ciro é tão boa, por que o André não disponibiliza a vaga de seu próprio pai? Por que só a mulher tem que ceder?’, questionou.
Ela voltou a criticar a aliança: ‘Eu sou contra ela [a aliança], mas essa é apenas a minha convicção. Se a direita quer se unir para derrotar o PT, tudo bem. Mas a coerência obriga que isso aconteça apenas no segundo turno’.
Segundo Michelle, Ciro foi o principal responsável ‘pelo processo que levou à inelegibilidade do meu marido’. Ela lembrou que Ciro chamou Bolsonaro e seus filhos de corruptos e bandidos.
A fala de Michelle gerou reação dos filhos de Jair Bolsonaro: Flávio afirmou que ela ‘atropelou’ o ex-presidente; Carlos e Jair Renan endossaram a crítica.
O PL oficializou apoio a Ciro em maio deste ano. A aliança é vista como estratégia para enfrentar o governador Elmano de Freitas (PT) nas eleições de 2026.
Segundo informações do g1.globo.com, a briga expõe divisões internas no PL cearense e nacional, com impacto direto na corrida estadual.
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