Foto: Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0) — PaestumPaestum
A produção industrial brasileira recuou 1,8% em junho, na comparação com maio. É a segunda queda consecutiva do indicador, que já havia caído 0,9% entre abril e maio, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Os dados da Pesquisa Industrial Mensal foram divulgados nesta terça-feira (4). A média móvel trimestral também caiu, com retração de 0,5%.
Apesar do resultado mensal negativo, a indústria cresceu 1,7% na comparação com junho do ano passado. No acumulado do ano, a alta é de 1,5%; em 12 meses, o avanço chega a 0,7%.
A queda de junho foi puxada por 16 dos 25 ramos industriais pesquisados. O destaque negativo ficou com coque, produtos derivados de petróleo e biocombustíveis, que recuaram 5,9%.
Também tiveram quedas relevantes os segmentos de produtos químicos (-4,3%), produtos alimentícios (-1,9%), produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-11%), confecção de artigos do vestuário e acessórios (-11%), equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-8,9%), outros equipamentos de transporte (-8,6%), produtos de borracha e de material plástico (-2,8%) e indústrias extrativas (-0,6%).
Entre as nove atividades que cresceram, os destaques foram celulose, papel e produtos de papel (5,4%), impressão e reprodução de gravações (20,2%) e metalurgia (1,4%).
Os números são da Pesquisa Industrial Mensal, divulgada pelo IBGE. As informações foram repercutidas pelo cearaagora.com.br.
Para a economia cearense, o desempenho da indústria nacional é um sinal de alerta, já que o setor tem peso relevante na geração de emprego e renda no estado. A retração de junho interrompe o ritmo de recuperação observado nos primeiros meses do ano.
Especialistas acompanham de perto os próximos levantamentos para avaliar se a queda é pontual ou se indica uma tendência de desaceleração mais prolongada. O governo estadual, por sua vez, mantém programas de incentivo à indústria local, como forma de mitigar os efeitos de um cenário nacional adverso.
A indústria de transformação, que responde pela maior parte do parque fabril cearense, sente diretamente as oscilações da demanda nacional. A alta de 1,7% na comparação anual, no entanto, mostra que o setor ainda opera em patamar superior ao do ano passado.
O IBGE ressalta que a pesquisa abrange 25 ramos industriais e que os resultados de junho refletem um mês de menor atividade em diversos segmentos. A queda de 11% nos produtos farmoquímicos e farmacêuticos, por exemplo, é uma das mais acentuadas da série.
No Ceará, a indústria de alimentos e bebidas tem peso significativo, e a retração de 1,9% nesse segmento pode impactar a produção local. Já a alta de 5,4% em celulose e papel pode beneficiar cadeias produtivas que dependem desse insumo.
O cenário para o segundo semestre ainda é incerto. A inflação, os juros e o consumo das famílias são fatores que influenciam diretamente a atividade industrial. O governo federal e os estaduais buscam medidas para estimular o setor, mas os efeitos ainda não aparecem nos números de junho.
Acompanhamento: a próxima edição da Pesquisa Industrial Mensal, referente a julho, deve ser divulgada no fim de agosto. Até lá, o mercado e os analistas seguem monitorando os indicadores de confiança e a demanda interna.
O cearaagora.com.br continuará repercutindo os dados e seus impactos para a economia cearense.
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