Segurança Pública

Negros são 71% dos mortos pela polícia em 9 estados


Negros representam 71% das 4. 330 mortes por intervenção policial ocorridas em nove estados brasileiros em 2025.

Esses estados são Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo. O estudo “Pele Alvo: entre racismo e letalidade, o amanhã”, da Rede de Observatórios da Segurança, revela que pretos e pardos têm maior probabilidade de morrer em ações policiais do que brancos em todos os estados analisados.

A pesquisa é conduzida pelo Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC) com dados oficiais obtidos via Lei de Acesso à Informação. A letalidade policial cresceu 6,4% entre 2024 e 2025, enquanto os homicídios caíram 10,4% no Brasil, segundo o Ministério da Justiça.

Nos nove estados monitorados, a redução dos homicídios foi menor: 8,5%, com quedas também observadas em estupro e feminicídio. Sete dos nove estados registraram aumento nas mortes por intervenção policial, com destaque para a Bahia, que lidera tanto em números absolutos quanto na taxa por 100 mil habitantes.

Embora a população negra corresponda a 79,7% dos baianos, pretos e pardos foram 93,9% das 1. 570 vítimas fatais em 2025.

No Amazonas, a letalidade policial permaneceu estável com 43 mortes, mas 96% das vítimas eram negras, apesar de este grupo representar apenas 73% da população local. O relatório também alerta para o aumento de mortes de crianças e adolescentes, com 312 casos em 2025 — 15 a mais que em 2024.

A Bahia concentrou 152 vítimas de 12 a 17 anos, seguida pelo Rio de Janeiro, com 44 nessa faixa etária e duas com até 11 anos. A subnotificação racial persiste como problema grave: no Ceará, 57% dos casos não informam raça ou cor, e no Maranhão esse índice é de 55%.

Dados incompletos dificultam o diagnóstico preciso da violência policial e contribuem para a invisibilização da dimensão racial do problema. O relatório conclui que a persistência de “não informados” funcionou historicamente como um mecanismo de apagamento estatístico da letalidade racial.

Fonte: Brasil247.

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