Foto: Photo by Henrique Morais on Pexels
O governo brasileiro reagiu com dureza às declarações do presidente argentino Javier Milei durante a convenção do PL no sábado (25). O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, convocou na tarde deste domingo (26) o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, para ‘transmitir a repulsa’ do governo brasileiro.
Segundo o Itamaraty, Vieira cobrou explicações sobre o comportamento do mandatário argentino em território nacional. Em nota, o MRE classificou o episódio como ‘lamentável’ e afirmou que ‘não há precedentes de um presidente estrangeiro que, em território nacional, enfeixe agressões e ofensas ao Chefe de Estado, às instituições democráticas, inclusive ao Poder Judiciário, e ao povo brasileiro’.
A nota ainda destacou que o Brasil e a Argentina mantêm 203 anos de amizade e cooperação, e que o país vizinho tem no Brasil o seu principal sócio comercial. Convocar o embaixador de outro país para uma conversa é uma demonstração de insatisfação e de busca por explicações da outra nação.
O discurso de Milei ocorreu na convenção que lançou a candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência. Em fala inflamada, o argentino chamou o ministro do STF, Alexandre de Moraes, de ‘lixo careca’ após ter negada uma visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Milei também associou a candidatura de Flávio a uma suposta ‘onda azul’ na América do Sul, afirmando que países da região estariam abandonando governos de esquerda.
Na última semana, a defesa de Bolsonaro pediu autorização a Moraes para o encontro com Milei, mas o ministro negou. No discurso, Milei criticou a negativa: ‘A Justiça brasileira não me permitiu visitar meu amigo injustamente encarcerado, quando Lula se cansou de receber dirigentes estrangeiros enquanto esteve preso, entre eles o então presidente da Argentina, Alberto Fernández’. Ele completou: ‘Isso não é nada além de mais uma clara demonstração da injustiça de sua detenção e do caráter vingativo de seus responsáveis’.
A convocação do embaixador é uma medida considerada dura nas relações internacionais, sinalizando que o Brasil quer esclarecimentos sobre uma atitude considerada hostil.
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